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Um sorriso no dia a dia, acompanhado de um café.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Fulaninha

fulaninha dos olhos cor de mel, profundos olhos cor de mel, daqueles que você olha e imagina provando, sentindo o gosto. Era graciosa no andar e quando pintava o "céu estrelado" de Van Gogh em seu corpo nu, eram tons de azul cor do céu noturno e amarelo. Era um teor artístico, como aquele vinho das noites de insonia e a nicotina escondida atrás da ultima gaveta de baixo. Era perspicaz quando percebia detalhes que passariam despercebido, como garotas que se arranhavam com um garfo para não parecerem donzelas. Jamais diria que sua fruta predileta era a melancia, até vê-la se deliciar, enquanto o líquido escorria entre seus peitos. Na dança era a mais perfeita melodia, compassada no ritmo de um bolero. Sua atitude dispensava sugestões, fazia, falava, enfim, agia sem freios, seu limite era sua vontade, e essa, era inconsolável. Apetitosa, não negava a vontade de matar sua cede, presa no meu Edredom, entre suores e gemidos esperando o sol nascer de manhã.
- Abre a porta devagar, não deixe sua mãe acordar. Vamos, vamos! Antes que ela acorde.

domingo, 19 de junho de 2016

Entre a consciência e a inconsciência.

Se eu morasse em um prédio, meu quarto seria uma janela com a luz acesa no oitavo andar, aquela que se apaga por ultimo, depois de todas as outras. As vezes ainda pode se ouvir misturado a minha playlist no spotfy, um "vai dormir menino", da minha mãe. Mesmo depois, no escuro, ainda fico na busca da posição perfeita, balançando as pernas até dormir como sempre faço. Já na penumbra, me vem a transição entre a consciência e a inconsciência, que louco, sonhar antes de dormir. Revivo algumas cenas, me vejo dentro daquele filme, ou viajo involuntariamente a uma cena proposta pelo subconsciente. As vezes falo, e as vezes parece que os nervos ficaram malucos, me pego dando socos e chutes no ar, assim do nada. Engraçado é quando você começa a repetir aquelas palavras e frases desconexas que vêm a mente, não sei se sou só eu, e estou entregando de bandeja uma prova da minha loucura, e se sim, e acontecer contigo também, somos igualmente loucos. Lembrei daquele video do menino alucinado, "Romero Brito? Katrina? Samu. Seu cu". Pois é, agora vamos dormir. Acordar?  Então, já são nove da manhã, e lá se vão mais sete horas da minha vida, junto com os outros quarenta e cinco por cento das outras subtraídas de mim. 

Maycon Kellvyn


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Sorriso pra foto.

Talvez ela nem quisesse sorrir, foi apenas um relance pra foto. Mas o que ela nao sabe é que esse relance provocou o movimento de milhares de músculos, todos loucos querendo produzir o melhor sorriso. Ela nao sabe, mas seu sorriso provoca outros sorrisos. Ela não sabe, mas é louca por não saber disso.

Maycon k.

Foto: Tabatha Fher

quarta-feira, 15 de junho de 2016

"O mundo está egoísta, precisamos de mais humildade". Mas afinal, o que precisamos de verdade??

Essa frase e suas variações se tornaram clichês entre pessoas hipócritas, que postam em suas redes sociais, palavras de sensibilidade e escondem o "tridente" quando vão comer pra não dividir, (Falo por experiência própria porque escondo mesmo, pq trident não é necessidade), pelo menos não sou hipócrita, e digo mais, se tem algo que odeio é hipocrisia.
Estive pensando, como se cria uma ideologia, como buda ou Gandhi fundamentaram suas idéias, não falo Jesus, pra evitar polêmica. Se fosse para dizer em uma palavra o que realmente precisamos, algo sucinto que definisse nossa necessidade, seria "sensibilidade". Ela se refere a busca de sí mesmo, o auto conhecimento, o respeito para com o outro, com base na sensibilidade de entende-lo e se por em seu lugar.
Numa discussão acerca do assunto, pude notar que nossa sensibilidade vem de algo que passamos e que nos sensibilizamos ao ver outros passarem. Se não passamos pela mesma situação, é apenas uma ilusão, no fundo não nos emociona ou comove realmente.
Precisamos ser sensíveis. Não o sensível que homens machistas pensam e associam a homossexualidade, mas a sensibilidade de se ver no outro. De  tentar entender o motivo de o outro ser, ou fazer dessa forma. Quando entendermos o outro, teremos respeito, humildade, generosidade e a paz.
Vão nas ruas e doem seus agasalhos velhos. Alguem precisa deles. 

:Maycon Kellvyn:.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um sorriso sem querer.

Talvez ela nem quisesse sorrir, foi apenas um relance pra foto. Mas o que ela nao sabe é que esse relance provocou o movimento de milhares de músculos, todos loucos querendo produzir o melhor sorriso. Ela nao sabe, mas seu sorriso provoca outros sorrisos. Ela não sabe, mas é louca por não saber disso.

Maycon Kellvyn

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Final de semestre. 📄📆


Nostalgia, tempos de primário. Cedilhas e circunflexos.


     Interessante como algumas recordações saltam a mente sem que se espere. Estava trancado no meu quarto copiando um trabalho da faculdade, copiava rápido, tão rápido que a caneta parecia andar sozinha deslizando no papel. As letras se engarranchavam umas nas outras, se sobrepondo. No momento em que copiava, eu mesmo me admirava com a velocidade. Tentando otimizar o tempo, parecia que tracejava uma linha reta no papel ao invés de escrever palavras, embora quem as lesse, pensasse ser realmente uma linha, não era. Apenas que somente eu as entendia. Nesse momento, me veio uma lembrança nostálgica. Estava eu no primário, sentado na carteira, sendo o último na sala de aula, somente eu e a professora Cristiane. Como não podíamos sair da classe antes de terminar a atividade, e eu era tão disperso que conseguia quase sempre ficar por ultimo. (Eu disse era, mas na verdade sou). Aí vem o motivo de eu ter me lembrado desse momento. Me lembro como desenhava as letras no caderno, ainda sem prática de escrita, circulava os "ós" e puxava a perninha dos "ás". Usávamos lápis, era horrível. Havia aquela vontade de chegar no ginásio para só então poder usar caneta. Mas não era por acaso que não podíamos usa-las, se assim fosse, os cadernos haveriam mais rasuras que palavras. Mesmo com meu lápis de ponta grossa, borrava o caderno com aquelas borrachas mal passadas, que criava manchas cinzentas na folha. Se as pontas fossem finas, não ficariam nos lápis. Era tanta força que coitado deles, eram estrangulados. Graças a minha pró Cristiane, aprendi chamar o circunflexo de chapeuzinho e o agudo de tracinho inclinado. E mais que tudo, aprendi colocar cedilha no "voçê". Ainda hoje não consegui me livrar desse vício. Vez em quando me pego cedilhando a porra do você. Enfim, essa é a cena do filme onde termina o flashback e voltamos aos dias atuais. No meu quarto, calmo e silencioso; trancado, copiando o trabalho para a faculdade.

Maycon Kellvyn

Oi! Bom dia.

     Bom dia. Bom dia quem? Ninguém dormiu comigo, a quem dou bom dia quando acordo? Mas eu dou bom dia, falo pra o dia, falo pra o sol que faz o favor de me acordar. Insistente, entra pela minha janela branca, comprida e estreita, e fica oscilando conforme as nuvens que o encobrem. Apesar da insistência, quase nunca me convence a levantar. Minha mãe sai as oito, meu pai sai quando ouço o barulho da caminhonete. Sobra minha irmã, a ultima, e as vezes a primeira a sair. Na verdade o ultimo sou eu, que as vezes nem saio. Meu quarto parece que resume minha vida, bagunçado, cheio de roupas pelo chão, que também nao me convence a arrumar. Quando convence, quem reclama é o guarda roupas que fica atulhado de bagaceiras. Enfim, bom dia.

Maycon Kellvyn