Se eu morasse em um prédio, meu quarto seria uma janela com a luz acesa no oitavo andar, aquela que se apaga por ultimo, depois de todas as outras. As vezes ainda pode se ouvir misturado a minha playlist no spotfy, um "vai dormir menino", da minha mãe. Mesmo depois, no escuro, ainda fico na busca da posição perfeita, balançando as pernas até dormir como sempre faço. Já na penumbra, me vem a transição entre a consciência e a inconsciência, que louco, sonhar antes de dormir. Revivo algumas cenas, me vejo dentro daquele filme, ou viajo involuntariamente a uma cena proposta pelo subconsciente. As vezes falo, e as vezes parece que os nervos ficaram malucos, me pego dando socos e chutes no ar, assim do nada. Engraçado é quando você começa a repetir aquelas palavras e frases desconexas que vêm a mente, não sei se sou só eu, e estou entregando de bandeja uma prova da minha loucura, e se sim, e acontecer contigo também, somos igualmente loucos. Lembrei daquele video do menino alucinado, "Romero Brito? Katrina? Samu. Seu cu". Pois é, agora vamos dormir. Acordar? Então, já são nove da manhã, e lá se vão mais sete horas da minha vida, junto com os outros quarenta e cinco por cento das outras subtraídas de mim.
Maycon Kellvyn

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