Azul é a cor do céu e das grutas de aguas cristalinas, é a cor do blueberry e da safira. Mas tambem é a cor do charmoso banhero do hostel Madeleine, que pela segunda vez me acomoda. Era o famoso amigo procurado somente nas horas de necessidade. Poucos eram os que ofereciam reciprocidade ao seu aconchego. mas ainda assim de bom grado, servia de abrigo aos solitários, ouvidos aos desesperados e as vezes, esconderijo aos amantes apaixonados. Azuis eram seus azulejos, a pia e os demais utilitários que o preenchiam, dando aquele visual português. Quem sempre o encontrava no mesmo horario das sete e meia da manhã era a moça da limpeza, que cantava antigas cantigas enquanto lustrava seus porcelanatos e o perfumava com jasmim. Não foi a primeira vez que viu alguem sentado no piso, chorando a amargura de uma triste e solitária existência, também nao é novidade que ele tenha testemunhado o encontro de amantes, fugindo de suas monótonas realidades, inflamando suas paixões, ardendo em desejo, sob o calor e o susurro de palavras sujas. De certo que não nos damos conta do quão prazeroso é, esvaziar-nos de tudo que nosso corpo rejeita, isso acompanhado de uma boa leitura, até poderia morar, morar ali naquele charmoso banheiro azul cheirando a jasmim, que tão bem me acolheu.
domingo, 10 de julho de 2016
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